A arte de manter a leveza

É possível escrever nosso roteiro pessoal de forma positiva e bem-humorada.

A vida adulta parece um filme de ação constante: corrida contra o tempo, ansiedade, pressões, muito a fazer e a resolver. E quem vive  nas grandes cidades adiciona a esse filme trânsito, barulho, caos. Será possível levar uma vida equilibrada em meio a tudo isso? Neste roteiro, como é que a gente evita o drama e coloca uma pitada a mais de comédia?

A jornalista e escritora Leila Ferreira acredita que é possível viver de um jeito mais leve. Autora de livros voltados ao bem-estar e autoconhecimento, ela publicou recentemente um título inspirador, dedicado à forma como nos relacionamos com essas questões: ˝A arte de ser leve˝. O livro foi tema de um dos encontros da Semana do Livro, realizada pela Biblioteca, em 2019.

Com leveza – como não poderia deixar de ser – e alto astral, ela fala sobre hábitos e atitudes que tornam nossa alma pesada, afetam a vida das pessoas ao nosso redor e conta como driblá-los em busca de uma vida com mais qualidade. ˝Estamos mais ansiosos, raivosos, impacientes, intolerantes. Não adianta fazer atividade física, cuidar da saúde do corpo, se a alma está repleta de toxinas˝, comenta Leila.

Não estamos sozinhos neste filme

Para escrever o livro, Leila saiu pelo mundo e descobriu que a chave está em como nos relacionamos. ˝Ter bons relacionamentos é o que mais nos aproxima do bem-estar. Bom sono, boa alimentação, exercícios são importantes, bons relacionamentos são tão ou mais importantes˝. No topo da lista de atitudes que precisamos adotar, está a gentileza. Para ela, vivemos uma epidemia mundial de falta de delicadeza. E somente com mais empatia e gentileza podemos melhorar os nossos relacionamentos e sermos mais felizes.

Os prejuízos causados pela falta de gentileza não impactam somente a saúde das pessoas, mas também os negócios. ˝Nos Estados Unidos, há um rombo na economia produzido pela grosseria. Em torno de 60% dos problemas de produtividade são causados pelo estresse no ambiente de trabalho˝, afirma a autora.

Bom sono, boa alimentação, exercícios são importantes, bons relacionamentos são tão ou mais importantes.
Leila Ferreira

Leila Ferreira, jornalista e escritora.

Bom humor é a chave para encarar mudanças de roteiro

Outro item importantíssimo é o bom humor. Evidentemente, não é possível estar bem-humorado o tempo todo. Mas viver permanentemente mal-humorado causa estragos. Uma das características mais marcantes da pessoa mal-humorada é querer ditar as ordens para o dia a dia. ˝

A pessoa considerada mal-humorada cria um script e não admite ser contrariada. ˝A vida muda o roteiro o tempo todo. É fundamental aprender a aceitar mudanças e frustrações˝, afirma Leila.

Rigidez, falta de flexibilidade, perfeccionismo. Muitas vezes esses comportamentos são confundidos com planejamento, mas Leila discorda: ˝planejamento é diferente de engessamento. O gesso impede movimentos˝.

A imagem da leveza: a carreta e a bicicleta

Gentileza, bom humor, pausas para respirar e descomprimir. Tudo isso nos ajuda a equilibrar as exigências do dia a dia para levar uma vida mais tranquila. Mas qual seria a melhor atitude a tomar em momentos de grandes transformações?

Sabemos que mudanças muitas vezes trazem sentimentos conflitantes. Por um lado, a adrenalina e o brilho nos olhos que acompanham os novos desafios, mas, por outro, existe o temor de deixar o que já é conhecido, nossa famosa zona de conforto.

Para nos ajudar a encarar de forma leve e positiva as mudanças, Leila não pestaneja: desprendimento é fundamental! E, para explicar o que quer dizer com isso, ela nos propõe observar dois veículos cujas lógicas são distintas: a carreta e a bicicleta.

Ambos são importantíssimos, mas têm funções diferentes. Isso não significa que é preciso abandonar tudo o que já foi construído, muito pelo contrário, mas selecionar com cuidado aquilo que é fundamental de ser carregado para a próxima etapa da ˝viagem˝.

Nesta temporada, o desprendimento será uma das competências esperadas. Vamos, juntos, abrir mão do que não precisamos carregar para o próximo episódio dessa série!

Para atravessar fases de grandes mudanças, desprendimento é fundamental.
Leila Ferreira

Monica Diniz, colabora da Central de Sinistros.

A hora certa de apertar o pause

Há alguns anos, Monica Diniz, colaboradora da Central de Sinistros, começou a sentir-se mal. Episódios frequentes de enxaqueca desembocaram numa crise que a levou ao hospital por 17 dias. Diagnosticada com ansiedade, recebeu a indicação para procurar apoio psicológico, mas, num primeiro momento, resistiu.

˝Achei que a crise estava relacionada à forma como organizava meu dia. Dormia pouco, comia mal, tinha uma rotina muito pesada. Meu primeiro movimento foi tentar mudar isso˝. Ao optar pelo home office, Monica pode reorganizar seus horários e dar mais atenção à alimentação e à prática de atividades físicas, mas percebeu que não estava ainda tratando a causa do problema.

˝Fui resistente à terapia, mas, quando comecei, eu percebi que estava mascarando o problema, que era interno e não externo˝. Ela aprendeu a estabelecer metas pessoais de curto e médio prazos e finalmente percebeu uma melhora significativa. ˝Hoje, as pessoas me percebem mais alegre e animada. E eu também me sinto assim. Antes, não dava a devida importância para me cuidar, não tinha válvulas de escape para lidar com o estresse. Descobri formas de aliviar as pressões do dia a dia e de lidar melhor com as mudanças˝.

Sobre Leila Ferreira: Leila Ferreira é formada em Letras e Jornalismo, com mestrado em Comunicação pela Universidade de Londres. Foi repórter da Rede Globo Minas e, durante dez anos, apresentou o programa Leila Entrevista, na Rede Minas e TV Alterosa, por onde passaram 1,6 mil entrevistados.

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